Saravá Shalom: Teshuvá em Terra de Encantaria

O novo documentário de Alex Minkin, Saravá Shalom, propõe uma revisão do que significa ser judeu no Brasil. Longe das sinagogas tradicionais e do rabinato oficial, o filme acompanha judeus brasileiros que encontraram nas Kardecismo e religiões afro-indígenas — Umbanda, Candomblé e Jurema Sagrada— um caminho para reconexão com ancestrais silenciados desde Inquisição portuguesa.

 

Saravá Shalom oferece um cinema que confronta o antissemitismo ao desconstruir a imagem monolítica do judeu, revelando a multiplicidade de experiências e identidades que resistem às tentativas de redução da identidade judaica aos esteriótipos dominantes do judeu no Brasil e mesmo nas Américas.

Saravá Shalom pode ser lido como uma carta judaica de amor à umbanda, ao kardecismo, ao candomblé e às ramificações periféricas do judaísmo no Brasil… O que ele não é: um filme acadêmico.

Como diretor do filme, propositalmente excluí as minhas entrevistas com professores universitários que compuseram a pesquisa do filme. Me inspirei assim nas palavras do filósofo francês Jean Pouillon, quando diz que só o não crente acredita que o que o crente faz é acreditar. O intuito era que o filme falasse de dentro, do ponto de vista dos participantes, sem apresentar julgamentos analíticos oriundos da academia, deixando para o espectador a interpretação aberta ao encontro com o filme.

Do arquivo ao terreiro

O documentário nasceu de uma década de pesquisa sobre a espiritualidade sincrética brasileira. O que começou como visita casual a um pequeno terreiro de Umbanda na Zona Norte do Rio de Janeiro tornou-se peregrinação através do tempo, linhagens e culturas.

No sertão profundo do Estado do Ceará, entre rezas de caboclos e cantos dedicados a Salomão, a câmera buscou tornar visível uma genealogia fragmentada pelo fogo da Inquisição e pelo silêncio colonial.

Inspirado no documentário A Estrela Oculta do Sertão  (2005), de Elaine Eiger e Luize Valente, Saravá Shalom retoma assim um tema ainda pouco enfrentado.

O filme de Elaine Eiger e Luize Valente, revelou que muitos descendentes de cristãos-novos, ao tentar recuperar um vínculo antigo com o judaísmo, acabaram esbarrando em portas muito menos abertas do que esperavam. Em vez de acolhimento, encontraram desconfiança: faltavam documentos que comprovem linhagens, havia divergências de rituais e pairavam dúvidas sobre a legitimidade e as razões dessas retomadas identitárias — fatores que, juntos, dificultavam a entrada em comunidades judaicas estabelecidas.

Saravá Shalom, por sua vez, muda o enfoque, ao olhar para algo mais subterrâneo— o reencontro entre linhagens dispersas que continuaram a se falar através da música, da incorporação de rituais e da memória corporal.

Como cineasta vindo da antiga União Soviética, cresci num contexto de ruptura com a tradição, com o desaparecimento das línguas e das memórias judaicas. Acompanhar os descendentes de cristãos-novos nessa busca de reconexão foi, de certa forma, uma experiência compartilhada.

O trauma pessoal da ‘conversão’ forçada ao comunismo na União Soviética, que apagou a vida espiritual de muitas famílias judias, dialogava com o trauma dos descendentes de judeus convertidos ao cristianismo à força em Portugal durante a Inquisição.

André Feitosa e as múltiplas genealogias

André Feitosa, artista, filósofo e advogado de direitos humanos cearense, é o personagem central do filme. Ele descobriu que sua família descende de escravizados africanos, indígenas e judeus convertidos à força pela Inquisição. « Fiz uma escolha de vida de narrar as histórias de meus ancestrais. Onde não havia registros arquivísticos, consultei espíritos nos terreiros. Sou uma casa assombrada por fantasmas competindo, todos exigindo espaço, ritos, memória e cura », declara André.

Marcos Gandelsman, psicólogo, ativista da Meretz Brasil e da comunidade judaica de Recife, conta que “assim como o Abraão bíblico que, marcado pelo pacto, acolhe os desconhecidos à porta de sua tenda e estendeu a eles sua hospitalidade, André — protagonista de Saravá Shalom — também age movido por uma necessidade ancestral. No cemitério judaico, ao saudar Oiá/Iansã e tocar em túmulos de judeus com quem não tem laços diretos, amplia sua “tenda da memória”, reintegrando esses mortos como seus próprios ancestrais. Tal como Avraham, cuja ação nasce do dever de ser bênção para muitos, André ritualiza sua ancestralidade porque precisa. Ele também é sujeito de pactos, cuidando de vínculos, acolhendo ausentes e mantendo viva as linhagens que o precedem.”

 

Dança em homenagem aos ancestrais sefarditas, Coimbra, Portugal. Cena de Saravá Shalom.

 

Cada uma de suas linhagens ancestrais demanda lealdade ritual. Seus ancestrais ameríndios o chamam à Jurema; sua linhagem africana ao Candomblé; seus ancestrais sefarditas, convertidos à força pela Inquisição, exigem retorno à tradição judaica. Cada sistema carrega uma ontologia única de tempo, ética e corporalidade.

Segundo o babalorixáe e antropólogo Robson Cruz, Saravá Shalom constitui um desafio aos ideais de pureza racial ao valorizar a mistura cultural e celebrar a “impureza” das origens, dando lugar às divindades e espíritos que emergem das tradições afro-brasileiras, como na Umbanda.

Ritual de comer os nomes

Uma das cenas mais intensas se passa na abandonada vila de Cococi, no sertão profundo do Ceará — um lugar sem vizinhos, sem água, feito apenas de pedra e vento. Foi ali que os antepassados sefarditas de André se esconderam durante a Inquisição.

« Era um lugar absolutamente formidável para se esconder, embora nunca tenha sido generoso », diz André diante das ruínas. « As vacas morriam, as plantas tombavam, mas, comparado ao perigo da Inquisição, era o lugar mais seguro que podia haver. »

André realiza um ritual em que « come os nomes » de sua árvore genealógica — nomes que compõem sua linhagem judaica, hoje reconhecida pelo rabinato de Lisboa. A cada nome pronunciado e deglutido, um elo perdido é reintegrado ao corpo. Comer o nome é fazer do verbo carne; é restaurar, pela boca, o que foi arrancado da língua.

Na tradição cabalística, o nome carrega a essência da alma. O Tetragrama — o Nome impronunciável de Deus — é o ponto de convergência entre o ser e o dizer. Já nas tradições iorubanas e nagôs, de matriz africana, a força vital, o axé, transmite-se pelo som e pela ingestão ritual: comer é incorporar, é receber o sopro dos ancestrais.

No encontro dessas duas cosmologias — uma que sacraliza a letra e outra que sacraliza o corpo — o ritual de comer os nomes torna-se diálogo entre a Cabalá e o axé, aliança entre memória e carne.

Há aqui uma espécie de « Eucaristia marrana », onde o nome — em vez de ser pronunciado diante do altar — é devolvido ao ventre da terra, passando pela boca. Na Cabalá, o mundo se cria pela combinação das letras; na Jurema, ele se recria pela partilha ritualizada das comidas.

Quando as duas forças se encontram, palavra e alimento tornam-se inseparáveis: comer é lembrar, lembrar é criar. Diz André, “absorver os nomes do tempo, mastigar o tempo, mastigar os nomes que antecederam, digerir e ressuscitar o infinito, os nomes que vinculam no tempo ancestral, comer o passado de modo a libertar o futuro.”

Ao comer os nomes, os personagens do filme ensinam que o exílio pode ser também modo de comunhão. E que o verdadeiro retorno — o teshuvá — talvez seja este: reencontrar nossos mortos na voz dos outros.

André nos mostra nesses ritos espirituais como a judaicidade estava embutida no sertão brasileiro contra o pano de fundo da perseguição cristã.

Cerimônia no terreiro mais antigo do Ceará

Saravá Shalom testemunha o ato de reconciliação espiritual de André no terreiro Ilè Ibá Asè Kpósú Aziri, o templo de Candomblé mais antigo em funcionamento no Ceará. Ali, nomes judaicos são pronunciados. Genealogias são enroladas em cestos sagrados. Orações judaicas como o Kaddish são entoadas junto a oferendas de alimentos africanos e judaicos.

 

Emojubá! Festival de Quimbandeiro. © Leonardo Melo Pereira de Oliveira.

 

Estas cerimônias são atos de justiça ritualizados, confrontando o silenciamento operado durante a Inquisição portuguesa, que criminalizou e apagou práticas ancestrais sefarditas. A cerimônia filmada é uma resposta radical a essa história.

Um balaio, repleto de alimentos e nomes de ancestrais judeus, é colocado sobre as cabeças dos praticantes e girado no sentido anti-horário — contra o tempo, contra a amnésia, de volta à origem.

O terreiro de Candomblé torna-se não apenas local de memória africana, mas santuário para todos os povos diaspóricos que buscam reconexão ritual.

Nas palavras de Naomi Ruth Lowinsky, « Se seus fantasmas foram roubados da África, vendidos como escravos, se povos indígenas foram privados de suas terras, ou refugiados judeus, todos vocês têm histórias terríveis para contar. Há um espaço seguro, onde nossos fantasmas podem ouvir as histórias uns dos outros, lembrar de nossa história compartilhada. »

O universo de memórias interrompidas da diáspora judaica encontrou caminho de acolhimento nos terreiros marginalizados e recorrentemente atacados da diáspora afro-brasileira. Ao acolher descendentes de judeus cujas práticas ancestrais foram interrompidas pela Inquisição Portuguesa, o terreiro demonstra como as tradições afro-brasileiras desenvolveram uma capacidade de repovoar, junto com outras minorias perseguidas, espaços esvaziados pela perseguição religiosa de fundamentação racial. Através de procedimentos como o balaio de oferendas aos ancestrais — onde também convocam patriarcas como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Aarão, José e Davi — o Candomblé oferece a cripto-judeus uma linguagem ritual capaz de reconectar linhagens familiares fragmentadas ao longo de séculos de conversões forçadas e apagamento sistemático.

Esta vocação inclusiva do terreiro revela-se particularmente significativa quando se considera que judeus convertidos foram duplamente rejeitados: nem suficientemente cristãos aos olhos dos Inquisidores, nem suficientemente judeus segundo rabinos ortodoxos, tornaram-se apóstatas sem comunidade própria. Os terreiros de Candomblé, estruturalmente organizados para enfrentar a destruição da memória através do culto ancestral, oferecem acolhida e respeito onde outras instituições negaram pertencimento.

Os judeus no Candomblé, assim como os afro-brasileiros na religião judaica, tornam-se assim mensageiros desconhecidos de uma nova coexistência. Saravá Shalom lança luz sobre eles após décadas de silêncio, uma vez que tal diálogo entre essas religiões não era assunto. Como mostra o filme, as religiões afro e judaica no Brasil criaram muitos pontos de contato, de comércio e trânsito de vivência, e são mutuamente inspiradoras. Como a cantora Assucena (Halevi Assayag Santos Araújo), de ascendência judaica marroquina, escreveu para Vogue, « Poucas pessoas sabem ou pouco percebem como o judaísmo se parece mais com as religiões afro-brasileiras do que inclusive com o cristianismo ».

Yvonne e o kardecismo judaico

Enquanto o caminho de André se corporifica através da dança e do ritual, a jornada de Yvonne se desdobra através do kardecismo, prática espiritista de influência francesa amplamente popular no Brasil. Sua história leva a uma intersecção surpreendente e frequentemente negligenciada: a da prática judaico-espiritista.

Yvonne, cujos pais judeus vieram da Alemanha, agora idosa, frequenta o Centro Kardecista Jacques Chulam há mais de 50 anos. Fundado por três famílias sefarditas de Jerusalém nos anos 1940, é o único centro judaico-espiritista conhecido no mundo. Enquanto a teologia judaica dominante denuncia a comunicação com espíritos, este centro ofereceu refúgio para aqueles que, como Yvonne, perderam entes queridos e buscavam consolo espiritual.

Após a morte de seu filho, Yvonne encontrou conforto através do contato mediado com espíritos judaicos. Ela conta ter recebido 31 cartas psicografadas de espíritos de rabinos falecidos — algumas assinadas por figuras históricas como o rabino Fritz Pinkuss e o rabino Heinrich Lemle, ambos proeminentes na história do judaísmo reformista brasileiro.

Estas cartas, frequentemente recebidas na véspera de Rosh Hashaná e Yom Kippur (nesses feriados o centro fecha, permitindo que os espiritistas judeus frequentem os serviços judaicos tradicionais), contêm ensinamentos e bênçãos, ecoando a cadência moral e teológica do judaísmo liberal.

A história de Yvonne marca um dos momentos mais pungentes e emocionalmente complexos do filme. Uma mulher judia que buscou consolo não em ensinamentos rabínicos tradicionais, mas através da comunicação espírita kardecista. As cartas dos mortos — rabinos brasileiros e de seu filho falecido — abrem para ela uma janela frequentemente oculta do discurso público e do establishment das comunidades judaicas brasileiras.

Andréa Kogan, pesquisadora brasileira de religiões e autora do estudo pioneiro « Espiritismo Judaico », ofereceu uma reflexão comovente sobre o testemunho de Yvonne na exibição do filme na Alemanha: « Pesquisei judeus brasileiros que se comunicam com espíritos, usando técnicas do espiritismo de Allan Kardec.

Quando judeus enfrentam a morte, a doença ou um profundo sofrimento emocional — como a perda de um filho — frequentemente, ao não receberem apoio significativo de rabinos ou instituições judaicas”, procuram o espiritismo.

A experiência de Yvonne, portanto, não é um caso isolado. Segundo Kogan, esse tipo de busca espiritual é uma realidade disseminada, mas não admitida, de muitos judeus brasileiros.

Como explica Kogan, há pouco discurso público ou pesquisa acadêmica sobre judeus brasileiros praticantes de religiões sincréticas como Umbanda, Candomblé e Espiritismo. A maioria dos judeus que se engaja em tais práticas o faz secretamente, por medo de julgamento ou exclusão.

« O filme é um retrato honesto, bonito e verdadeiro da realidade judaica brasileira », observou Kogan. E embora alguns possam perguntar se ela acredita em tais fenômenos, sua resposta é clara: « Quem sou eu para dizer se acredito ou não? É um fenômeno para o qual temos que olhar, dar atenção, e respeitar. »

Tanto a estudiosa americana de Umbanda Diana Brown quanto Andréa Kogan concluem que para os judeus brasileiros, conectar-se com Espiritismo, Umbanda ou Candomblé, nunca implicou uma renúncia ao judaísmo — trata-se de viver um duplo pertencimento, uma síntese espiritual moldada pelo pluralismo e sincretismo brasileiro.

O rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica do Brasil, observa essa característica única da religiosidade brasileira na discussão do filme, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro: « Existe uma pluri-religiosidade muito grande no Brasil. Quando eu pergunto a um brasileiro qual é a sua religião, ele me conta uma saga. Eu era católico, e depois eu evangélico, e depois eu me tornei espiritualista. É parte da tradição espiritual de sua religiosidade. »

Essa abertura das religiões sincréticas brasileiras se tornou um terreno fértil para renovação espiritual judaica, também orgânica à cultura brasileira, a qual atualiza à sua maneira uma religiosidade que acaba por se diferenciar de modelos norte-americanos e europeus.

Para Michel Gherman, professor de Sociologia da UFRJ e membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos, a entrevista com Yvonne é uma das cenas mais bonitas do filme. “Trata-se de uma prática absolutamente constante no judaísmo: o vínculo entre os que morreram e os que permanecem, o vínculo entre mãe e filho, o vínculo do filho que continua falando para que ela siga a tradição judaica (pedindo para ela rezar o Shema). Quando eu vejo Yvonne, vejo o judaísmo em seu sentido mais radical. Fico pensando na impossibilidade, nas várias tragédias judaicas, de manter esses vínculos com os mortos. E vejo, nessa experiência absolutamente judaica de Yvonne, a possibilidade dos vínculos com o filho querido que morreu. Nada mais judaico do que isso. […]. Um dos elementos fundamentais deste filme é a produção de uma identidade judaica absolutamente autônoma, livre, desimpedida, brasileira”.

Sinagoga de Compromissos Ancestrais

Ao refletir sobre sua própria comunidade, André explica o nome que escolheu para ela:

“Sinagoga de Compromissos Ancestrais. É dito no plural — compromissos ancestrais — porque trata de várias camadas de ancestralidade desfiadas umas nas outras. Há forças espirituais distintas que habitam aqueles mesmos ossos. »

« Desde que chegamos ao Brasil, formamos famílias com nossos aliados, vindos de muitas origens: da diáspora africana, das invasões e dos saques indígenas, dos cruzamentos entre povos diferentes. »

Saravá Shalom, como diz o rabino Nilton Bonder, nos mostra que onde houver circulação de judeus — onde possam conviver, transitar e criar vínculos — haverá também marcas judaicas espalhadas por diferentes campos da vida social. Para ele, trata-se de um processo assimilatório intrínseco à história do judaísmo: a presença judaica sempre acaba deixando rastros, sejam culturais, espirituais ou simbólicos, nos ambientes em que se insere.

É essa a herança judaica que Saravá Shalom busca dar voz, tanto a partir de suas imagens como através de suas personagens, como André e Yvonne, mas também Bia, outra personagem do filme, médium e cantora de Umbanda, nascida no Paraná, de origem germânica e indígena, a qual se compreender igualmente como herdeira do judaísmo, ao dar voz a espíritos judaicos em suas canções.

 

Bia Schneider, Florianópolis, SC, Brasil. Cena de Saravá Shalom.

 

Turnê no Brasil e recepção internacional.

Durante a turnê brasileira, Saravá Shalom reuniu públicos diversos — comunidades judaicas, descendentes de cristãos-novos, pesquisadores, líderes espirituais e espectadores em geral — que revelaram, nos debates, o alcance histórico e afetivo da travessia proposta pelo filme.

Pensadores como Michel Gherman destacaram que a obra inaugura um novo campo nos estudos judaicos no Brasil, voltado não apenas à história migratória, mas aos usos espirituais e políticos do judaísmo no Brasil. Vozes como a da pesquisadora e juremeira Maria Rita reforçaram a ideia de ancestralidade como presença viva, não como passado distante, situando o filme como gesto de resistência marrana que persiste contra o esquecimento.

 

Ritual do Rei Salomão, templo Ogum Beira Mar, Cascavel, CE, Brasil, Cena de Saravá Shalom.

 

Quando Saravá Shalom foi apresentado na Alemanha, o professor Jonathan Schorsch, diretor de Teologia Judaica na Universidade de Potsdam, compartilhou uma reflexão marcante: “Aqui na Alemanha há certas coisas que contam como teologia judaica. Mas é realmente importante que todos nós entendamos que o judaísmo, a judaicidade, não é apenas uma teologia cristalizada pela tradição, mas uma experiência viva, que muda. É assim que funciona a sociologia e a história da religião.

Estudos sobre sincretismo religioso judaico brasileiro, como se vê em Saravá Shalom, sem julgamentos morais, mas com compreensão e compaixão, são tão importantes quanto o que chamamos teologia judaica, presente em obras como de Martin Buber e Maimônides.

Seu valor não está em ser kosher ou não. Mas em olhar para o que judeus brasileiros fazem » com essa sua religiosidade.


Alex Minkin
Alex Minkin é realizador do filme Saravá Shalom, antropólogo visual e ativista cultural, com foco em sua pesquisa nas interseções entre as culturas judaica e brasileira. Alex estudou no projeto de Arquivos do Seminário Teológico Judaico em Moscou e se formou na Escola James Striar de Estudos Judaicos Gerais da Universidade Yeshiva, em Nova York.

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